segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Soul Riso

O riso envergonhado do garoto depois da cantada mal dada é o mesmo da garota quando a cantada é bem recebida;
O riso involuntário do adulto quando vê a criança rindo é igual ao riso de criança quando vê o adulto como criança rindo.
Quando tudo não se encontra em seu lugar, caos na caixa de fósforo, tempestade no copo d'agua, e depois de uma ajeitadinha aqui e outra acolá, tudo volta a se acertar, esse riso sim é de se apreciar.
Riso de quem ganha o jogo bonito, riso de quem perde feio.
Riso de amigos.
De solteiros que saem pra fazer da noite uma criança que ri sem hora pra parar. Para talvez encontar uma cara metade, alguém pra esquecer jamais.
Riso de amigos.
De casais que veem no riso um do outro a alegria de continuar. a loucura de se aventurarem, e cada vez mais encontrarem no outro mais e mais.
riso levemente alcoólico, aquele riso que sai por ninguém ter conseguido prende-lo mais.
riso fortemente alcoólico, aquele que de tão freequente nem é mais notado.
riso schadenfreude, que mostra como o ser humano é, bem feito, como somos humanos.
riso, risonho, só riso! sou riso.

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

óde aos deuses

O zzz no ouvido me faz falta
A guitarra gritante, irritante, imperante,
antes suave, agora distorçante, agora suave, agora destoante..
A bateria marcando bem marcado, tá tá
tá fazendo meus dias ficarem mais silenciosos, monótonos.
A doçura e a criatividade das teclas que me faziam voar sumiram junto com a pegada pãl pãl do baixo que me deixava alto, tão alto, tão alto, tão alto.
O grito, a garganta, a melodia, o suor, a alegria, o arrepio, de ouvir a si mesmo, ou ás vezes nem se ouvir mas continuar cantando, continuar..
... continuar?
cadê?

Contagem

Há contas à pagar.
As contas, apagar
afinal de contas
tudo que é cobrado aqui,
tudo que é dobrado aqui,
lá será pago, desdobrado
ou se não mais enrolado, dificultado,
depende em que você acredita.

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Alguma coisa a gente tem que amar

Eu sei que ela me faz tão bem
Mas não sei se me convém
Ela tem que achar um outro alguém
Pra eu não me culpar de deixá-la sem

Alguém que a queira além
De arte moderna e nhem nhem nhem
E eu to achando que sei quem
Pois isso sou eu quem tem

Bem , meu bem
Pega o primeiro trem
E vem sem culpa
Vê bem,
Sai desse seu aquém
E me desculpa

Já não sei mais nada de ninguém
E acho que isso me convém
Tive que achar um outro alguém
Pra não me sentir o teu refém

Quem me dera alguém esse fosse cem
E me fizesse esquecer de ti tão bem
Que quimera querer te querer também
E não ter que escolher por outro quem

Poderá nos ajudar, heim?
Se tu não me ligas pra contar
Que precisas me ver também
Me falar das coisas que no mundo tem

Que me fazem crer no que todos crêem
Se tu não ligas, eu rezarei
Pois só em Deus confio, sempre confiei
-Não me abandones agora, por favor, amém.-


ass: sérgio e val

Chuva de setembro

Esse cheiro, eu conheço.
Deixa o horizonte da janela pra lá mais branco, confuso, com movimento.
Esse cheiro que eu conheço deixa o horizonte da janela pra cá tão branco quanto antes, mas mais puro, mais emotivo.
Lá fora, as folhas balançam bruscamente. As pessoas já desistiram de correr, andam devagar com as mãos na cabeça e de cara conformada.
Os carros correm normalmente, como se nada estivesse acontecendo, mal sabem eles o poder desse cheiro.
A música se intensifica do lado de cá, o vento gelado também, e o arrepio fica incontrolável.
A saudade dos cheiros mais importantes até então, como o da morada e o da namorada, aperta forte o coração, o sufoca. Mas o instante em que o cheiro em questão prevalece é tão sutil que dá vontade de dar atenção só à ele, de presenciar até quando ele aguenta.
Consegue suavizar a semana toda com apenas duas ou três horas. Para os que não vivem a realidade nua e crua, ele é capaz de suavizar partes significativas da vida.
Vem e vai, faz chorar muitas vezes: de saudade, de alegria, de rir.
Vai muito bem com pipoca, amigos, amores.
Vai muito mal com separações, lembranças gélidas de sentimentos fortes e brigas.
Dizem que quando é acompanhado por esse último dá um bicho estranho na cabeça que só morre quando o cheiro passa.
Esse cheiro de final de tarde... mas não de qualquer tarde.
Cheiro do final daquelas bem cansativas. Esse cheiro de chuva, daquelas que despencam sem piedade sobre o jardim recém-podado.
Esse cheiro de vento, gelado, sozinho e cheiroso. Esse cheiro de primavera.

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Pensamento

Eu penso, sem ação
o peso é grande
a cabeça dói.
Eu penso, é grande
o peso dói
a cabeça sem ação.
Eu penso, dói
o peso sem ação
a cabeça é grande.
O peso do penso que dói na cabeça é grande, sem ação.

Sina

Era bonito, jovem, afortunado, forte mas mesmo assim foi massacrado desonestamente pelo Amor, sem chance de se vingar. Não era apto à vingança também.

Cuidado para não cair na dança.

Ele tinha 18 ou 19, no máximo 20, mas gostava de jogar bola, video-game, comida fresquinha e de fumar um baseado no final de semana; preferia beber à comer, tinha medo de engordar, tinha
medo de ficar velho. Tinha medo de virar um velho gordo e careta, mas virou.