Quem me dera poder viver num mundo onde não existissem trocas. Troca é um ato tão arcaico.
Quando nos submetemos a uma dessas temos que abrir mão de algo. E não importa, pode ser algo que nos agrade, ou que apenas nos faça ter alguma consideração até mesmo algo que nos faça sentir repugno. Seja lá qual o valor que aquilo venha a ter, qual sentimento ou sensação que ele desperte, o fato é que de alguma forma ele mexe. Mesmo que seja pela indiferença, que quando é despertada nos deixa um pouco mais donos.
Todo mundo troca. Isso que eu estou querendo expor não ocorre apenas no universo material, concreto. Não é só um carro, ou uma roupa. Isso acontece em todas as esferas. Trocamos de ideias, pensamentos, visões, amigos, inimigos, amores, paixões, tudo. Trocamos até de memórias, essa por sua vez não é voluntária, mas o fato é que temos que deixar de lembrar as coisas do passado que, querendo ou não tiveram importância, para armazenar o agora.
Cansei de trocas. Minha sugestão para mudar isso é a teoria da somatória. Sem mais trocas apenas SOMA!
Somar, adicionar, simples assim. Imagine se conseguíssemos somar tudo que a vida nos arrumou e ainda arruma, ou melhor, tudo que conseguimos arrumar da vida. Pensar usando ideias opostas e daí então criar a sua ideia, somando, com a sua cara, personalizada. Parar de levantar bandeiras, seja de maiorias: é impossível um número exagerado de pessoas ter uma mesma linha de raciocínio, exatamente igual, a ponto de vestir uma mesma camisa; ou de minorias: As minorias nunca serão consideradas se continuarem "minorias", como disse o poeta, sejamos maiorais.
Nada é bom ou mal por completo. Abracemos tudo que vier, e vejamos o ele tem a nos oferecer.
A vida seria mais paradoxal. Mais? Muito mais. E convenhamos, esse é o barato dela. E o nosso barato é ficar aqui, imaginando uma forma melhor de viver. Mesmo que utópica.